HOJE É O DIA…

Sexta-feira, 22 de janeiro de 2021…São três horas da madrugada, mal posso esperar para escrever, a equipe de saúde, com os aplicadores da vacina contra o COVID 19, que as autoridades do governo credenciaram, rufaram os tambores no final da tarde de ontem… Fomos prevenidos que nossa, quase centena de idosos, e algumas dezenas de maravilhosas pessoas que cuidam da gente, vão receber a tão esperada primeira dose HOJE.

Sexta-feira, todos sabem, é dia de balada com os jovens, à noite… Nós — um pouco mais, bem mais — maduros devemos entrar no embalo durante o dia, prometem as autoridades.

Estaremos esperando pela manhã, logo após o café, que eles invadam nosso belo recinto cheios de disposição e carinho (nós somos mal acostumados), e agulhem nossos braços durante o tempo que for necessário para atender a todos.

Vocês talvez já saibam, 2021 é ano do centenário de criação do abrigo, aí está efetivada a tão decantada união “da fome com a vontade de comer”, dito muito propalado em minha infância e adolescência. 

Já fomos devidamente prevenidos: após a primeira dose, a cautela ainda perdura e então nada de “dar mole” para a pandemia… Vamos lá, pessoal…

HOJE É O DIA

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NASCIMENTO DE UM ABRIGO…

Quarta-feira, 20 de janeiro de 2021. Em meu entorno, muita euforia, entusiasmo e esperança. Talvez hoje ainda, um grupo de funcionários da saúde daqui de Curitiba, adentrará em nosso abrigo e nos aplicará a primeira dose de uma das vacinas criadas para nos livrar da mórbida pandemia, que apavora a todos.

Decidi então vos contar uma historinha, bem do jeito que pude observar, e andei lendo por aí. Começou no dia 21 de setembro de 1921.

Herculano Carlos Franco de Souza, destacado membro da sociedade curitibana lidera projeto para construção de uma casa de atendimento aos pobres. Apoiado por um pequeno grupo de personalidades, funda a Sociedade Socorro Aos Necessitados. Nem é preciso lembrar que estamos vivenciando hoje,  o ano do centenário desse abrigo maravilhoso.

Quarenta e um anos depois daquela data. a Sociedade lança, bem aqui onde agora estamos, a pedra fundamental de uma nova sede que – logo em 1967 – se estabeleceria como Lar dos Idosos Recanto do Tarumã, em um Paraná bem na transição dos progressistas governos de Ney Braga e Paulo Pimentel.

Este último, recepcionou a mim  e a um  grupo de aprovados em concurso realizado no Rio de Janeiro,  para lotarem a Agência Curitiba do extinto B.N.H. (Banco Nacional de Habitação),  exibindo placas na rodovia (atual Linha Verde) com os dizeres “PARANÁ AQUI SE TRABALHA“, lema do seu governo.  Isto entre 1967 e 68. A maioria de nós acreditou e assimilou a ideia.  Eu mesmo, embora tenha tornado ao Rio em 1970, me vi de volta, em caráter definitivo e com toda a família em 1986… tem valido a pena e vocês, leitores, sabem muito bem do que lhes falo.

Estes meus últimos doze anos morando aqui, no RECANTO TARUMÃ onde ingressei em 22 de setembro de 2008, transformaram, de maneira incrívelmente positiva, inúmeros conceitos (e preconceitos) que eu vinha portando por esta atribulada e por vezes insana vida de “pequeno burguês”.  Eu acreditava que sabia muito – me “achava” – dentro da ilusão de que detinha, além do convencional Tecnólogo em Processamento de Dados da PUC-RJ, um diploma universitário de conhecimento de vida.  Pois bem se o detinha, creiam-me, aqui venho realizando pós graduação e, modestamente… mestrado.

Como tem sido bom conviver com a desigualdade da quase uma centena de colegas de  abrigo. Abrigo não, lar, verdadeiramente, lar.  Que vultos gigantes conseguem carregar, com galhardia e serenidade, deficiências e desconfortos a si imputados pela sorte, destino, ou seja lá o que for. Existem os queixosos, claro, eu também os conheço em grande número transitando fora desses nossos muros e cercas… aliás, em números avassaladores.

E eu, pequenino anão, entrego-me aos cuidados sempre atenciosos das meninas de azul marinho dos Serviços Gerais e Lavanderia; as outras de caqui da Cozinha; dos(as) profissionais de branco ou verde oliva da Enfermagem atentos dia e noite conosco e com nossos medicamentos, selecionados e separados pela turma da Farmácia, a partir das prescrições pós-consultas constantes com a equipe de Geriatras.

Anão, porque não tinha ideia da grandeza de conhecer pessoas com toda essa disposição de servir, de ajudar, de entender, de perdoar alguns pequenos lapsos de senilidade, por vezes envoltos em certa dementação.  E ainda não falei do Pessoal Técnico, Terapeutas, Gerentes e Administradores. Agora aqui no quarto, à frente do meu telão, escrevo enquanto espero alguém da enfermagem trazer meu remédio do horário.

Contamos ainda com o carinho e atenção de  visitantes constantes e voluntários. Sobre estes últimos dediquei um “post” identificando-os, segundo meu ponto de vista, em SER VOLUNTÁRIO publicado em julho de 2011.  Uma vez fui cercado por um pequeno grupo de alunos do curso de Admistração da FALEC ali no alto de Santa Cândida.  Depois de despejar em seus ouvidos os meus sentimentos e minhas ações, enquanto morador da casa, escutei de uma das alunas a afirmação de que percebia que eu me sentia feliz aqui.

É verdade, sinto-me feliz por ter a sorte de encontrar a mim mesmo, e estar mais próximo do Criador, aos oitenta e quatro anos, aqui mesmo, contando a história do…

NASCIMENTO DE UM ABRIGO   

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A BOLA DA VEZ…

Domingo, 17 de janeiro de 2021... Vivenciamos uma pandemia… O Coronavirus, também conhecido por COVID 19, é o mais presente e atual assunto em voga. Temida e ignorada, subestimada e superestimada praga, que assola todo o mundo agitando a imprensa, as autoridades e os luminares das ciências políticas, médicas, sociais e econômicas.

Informam e apregoam que as pessoas idosas são mais passíveis de vitimação… Falou idoso, falou comigo… Abrigado numa Instituição que está completando seu centenário este ano sempre cuidando do bem estar de gente, assim como eu — não consigo parar de escrever crônicas — para ajudar a combater a senilidade.

Duas jovens e belas meninas, ligadas em jornalismo e com quem que venho contatando recentemente, me impulsonaram a embarcar nesse tema de hoje… Isto por quê me indagaram, querendo colher as impresões de um idoso em confronto com o tumultuado processo de vacinação, meio globalizado que vamos enfrentar por esses dias.

Pois é, meninas, também estou curioso e sobretudo confiante. Primeiro, por quê confio nos luminares a que me referi acima e depois, por quê boto tremenda fé na direção e administração daqui do Lar de Idosos Recanto Tarumã, onde atuam os profissionais da maior qualidade no trato e atenção as pessoas de idade avançada, que já pude conhecer.

Pedi a elas — meninas do jornalismo — que aguardassem, pois pretendo me equipar de câmeras e captadores de som para acompanhar o processo de vacinação dessa quase centena de moradores que somos nós e as dezenas de atuantes e responsáveis pelo nosso bem estar e que deverão receber, como nós, a proteção contra o COVID-19, afinal está chegando a hora de atender…

A BOLA DA VEZ

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CAPAZ DE SENTIR …

Quinta-feira, 14 de janeiro de 2021… Estou reblogando este texto após sete anos, porquê continuo levando em conta, outras janelas.

Espaço de Jurandyr

12 de janeiro de 2014, domingo.  Eu já andei contando para vocês, por este meu blog, que cerca de um terço de nossa população de moradores e composta de dependentes.  São assim rotulados porque realmente dependem da assistência constante e atenta dos dedicados funcionários(as) daqui do Lar para suprir as mais básicas necessidades de locomoção e ação.

Meu quarto, digo constantemente aos meus visitantes, dispõe de duas janelas.   Uma delas para a qual estou aqui de frente é a tela deste computador, através da qual e graças às Redes Sociais e os mais variados Sites e Navegadores, me permito enxergar toda esta parafernália em que têm se transformado o mundo “lá fora”.

A outra, há a outra! Bem aqui há minha esquerda está debruçada diretamente no pátio, muito bem cuidado, onde aqueles dependentes dividem o espaço e o sol com pombos que volitam em torno à cata dos restos…

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AINDA TENHO DÚVIDAS…

Quarta-feira, 13 de janeiro de 2021.No ano de 2009 eu publicava, todas minhas crônicas sómente aos domingos. Em um deles, no dia 11 de janeiro de 2009, redigi um texto que falava de algo que até agora ainda me atordôa. Os que me conhecem, cliquem no link, abaixo da imagem, leiam comigo e depois me digam …

L I N K.

… Será que não estou com a razão se …

AINDA TENHO DÚVIDAS.

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DO CLÁSSICO AO PAGODE…

Terça-feira, 12 de janeiro de 2021… São 04:20 da madruga, uma das meninas do turno da noite, enfia a cabeça na porta para conferir… Também pudera, lá de fora, pela janela viu alguém com TV e computador ligado a essa hora… Era bem eu, que depois de estar ligado ouvindo música, ainda na cama, resolvi proceder a uma mistura sadia no Notebook.

Primeiro um clássico “SERENADE de Shubert” (Solta o som)…

Logo depois, Xande de Pilares do Grupo Revelação, enviando seu recado…

Aí não teve jeito, sentei à frente do teclado, disposto a viajar…

DO CLÁSSICO AO PAGODE.

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JANEIRANDO…

Domingo, 10 de janeiro de 2021… A famosa dupla Simone e Silmara, gentilmente pede licença para entrar em nosso quarto e arrumar nossas camas; Juquinha e eu obedientes disponibilizamos o espaço; No corredor, Marize após supervisionar tudo, calmamente, as conduz para o jardim para saborear a manhã e o café… Aí eu flagro tudo, e posto:

Depois, venho para dentro recordar outro Janeiro de doze anos atrás, quando decidi dar um novo rumo às crônicas…

Os que clicarem BEM AQUI, verão.

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CAVALGADA…

Sábado, 09 de janeiro de 2021… Quem disse que um corpo encerrado na idade, na cama e na cadeira de rodas, estará impossibilitado de liberar seu espírito para sonhar com a juventude? Posso lhes assegurar que não… Esta noite mesmo, em pensamentos, tornei-me jovem e, ouvindo Roberto Carlos, decidi pensar em uma das cuidadoras da Casa e com ela, virtualmente,…

Empreender aquela tão bem descrita e cantada

CAVALGADA

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COMO UM GIRASSOL…

Sexta-feira, 08 de janeiro de 2021… Olha gente, apesar de estar contando oitenta e quatro anos de idade, mutilado e cadeirante, não sei se vão acreditar mas sinto-me amado pelos meus familiares — apesar do distânciamento físico — além de ser ainda assistido, dedicadamente por toda uma gente jovem — que nos atende e serve com amorosidade, aqui em nosso Lar — gente repleta de amor aos próximos — no caso nós — seus “avozinhos”.

Minha núsica hoje é essa… Não tem outra..,.

Com o espírito liberto e aberto…

…COMO UM GIRASSOL

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REMINISCÊNCIAS…

Quinta-feira, 07 de janeiro de 2021…. Acordei,  como sempre ouvindo música. Dessa feita, juntamente com a canção, pintaram REMINISCÊNCIAS de uma época anterior, MAS BEM ANTERIOR, MESMA, para mim…

Se pintava uma crise no relacionamento com a “mina”, a solução entre outras era a canção… No leito, ao lado dela, no antes, durante e depois do ato de amor soprava uma obra musical (uma letra gostosa) no ouvidinho… Mas nada de Weslei Safadão, Luan Santana ou outro “terrorista” musical.

REVELAÇÃO AO PÉ DO OUVIDO…

Meu equipamento seria antes municiado com alguma coisa assim mais terna e doce como o grupo Revelação, cheio do balanço do pagode, carinho e ternura…

Hoje despertei saudoso e maravilhado com as minhas…

REMINISCÊNCIAS.

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